Moda

Top 10: os melhores desfiles da temporada internacional de Verão 2018

11 de outubro de 2017

LoeweLoewe

Na Loewe, Jonathan Anderson também trouxe uma atmosfera mais pé no chão, com lindos vestidos em algodão que fazem nossa antena consumista acender na hora: quero esse vestido pro verão! As roupas são sexy ao jeito de Anderson, leves, ventiladas e com uma riqueza de cores, materiais e texturas que tornam cada look único, ainda que contenham a mesma atmosfera e direcionamento criativo. “Queria algo que as pessoas tivessem vontade de chegar perto e tocar”, disse o estilista à Cathy Horyn. Um sneaker pontudo, inspirado em uma sandália marroquina, chamou atenção no desfile. Quando questionado no backstage sobre esse, que parece um sapato de elfo, Jonathan diz: “eles fazem a gente rir”. É a leveza que vem de dentro e contagia todo o espírito da coleção.

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Burberry18-burberry-backstage-corey

“Estou tentando me colocar numa situação em que eu enxergue as coisas com frescor”, comentou Christopher Bailey no backstage do desfile. Decorrente ou não da influência de Gosha Rubchinskiy, com quem Bailey colaborar recentemente, o Verão 18 da Burberry veio, sim, soprar novos ares e uma pitada extra de jovialidade sobre a marca. Isso sem perder em nada o seu espírito britânico, com foco no outerwear. Novas leituras da padronagem em xadrez permearam toda a coleção: de bonés e bolsas a golas de casacos. Jaquetas Harrington, trench coats, corpulentos tricôs Fair Isle, motivos militares apareceram combinados a casacos e calças esportivas de plástico e tecido tecnológico ou ainda a vestidos de renda e organza, resultando num mix arrojado de tecidos, proporções e texturas que deram vida a peças essencialmente básicas. Uma coleção “um pouco mais honesta, um pouco menos polida”, definiu o estilista.

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Calvin KleinCalvin Klein New York - Verao 2018 foto: FOTOSITE

Raf Simons tem tirado a Calvin Klein da zona de conforto olhando para a própria cultura americana. Filmes de terror, pop art, cheerleaders e cowboy são alguns dos motivos desta coleção, uma das mais bonitas, instigantes e inteligentes da semana de Nova York. Simons adora TV e filmes e diz que vê no trabalho do ator uma liberdade que falta na indústria da moda. “A moda abraçou demais a expectativa dos espectadores”, disse à Vogue US. E de fato, não há mesmo muitos riscos.

O desfile é uma composição de texturas e tons e de imagens que podem enganar à primeira vista. Por exemplo, os vestidos que parecem camisolas, lindas, simples e leves, mas usadas por cima de uma camiseta com uma imagem de Andy Warhol, a do acidente de carro – ou com a foto estampada na própria peça. Ou ainda as saias, vestidos e trench coats com silhueta 50s, mas feitos em material pesado, emborrachado ou no nylon que vemos em barracas, com cordas e tudo. É um outro olhar para a feminilidade, trazendo uma atmosfera mais sombria, misturando o sonho e horror made in USA. “Raf é um artista. Poucos designers de fato querem olhar para a cultura de uma maneira crítica”, disse Sterling Ruby após, artista e colaborador de Raf que assinou a cenografia do show.

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BalenciagaBalenciaga

Demna Gvasalia assumiu que estava se sentindo preso por ter que reimaginar o legado de Cristobal Balenciaga a cada temporada (um ponto importante e que deve passar pela cabeça de todos os estilistas que estão na direção criativa de maisons históricas). Assim, é uma coleção muito mais Vetements (a marca de Demna) do que Balenciaga e isso não é uma coisa ruim, ao menos para os negócios da marca, que volta a ser falada e tem produtos fáceis de ser emplacados, ainda que provocadores. Gvasalia tem um olhar específico para a moda e o luxo e traz seus questionamentos e frescor para renovar a marca, tanto em imagem quanto em clientela. E quem não gostou de ver a Stella Tennant abrindo o desfile?

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Helmut Lang Seen by Shayne OliverHelmut Lang Seen by Shayne Oliver

Foi a coleção mais Helmut Lang desde que o próprio Lang deixou a marca, em 2005, um vislumbre da energia que ressoava nos shows de Lang nos anos 90 e início dos 2000. A nova fase da marca tem por trás Isabella Burley, editora-chefe da Dazed, na direção criativa e com a ideia de trazer um estilista por temporada para interpretar a marca. Quem assina esse desfile – muito bom – é Shayne Oliver, da Hood by Air, que trabalhou com os ícones criados por Lang, focando no sexo fetichista, uma das vertentes nas criações de Lang. Energia, criatividade e contemporaneidade de sobra para entender os significados de uma das marcas mais influentes e cults do mundo.

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Marc Jacobs Models present creations from Marc Jacobs SS 2018 collection during New York Fashion Week in New York

Cenários mirabolantes, trilha sonora comovente, imagens isca de Instagram. Não houve nada disso na apresentação Verão 18 de Marc Jacobs. Apenas as modelos cruzando uma passarela longuíssima, vagarosamente entrando em foco no campo de visão dos convidados. Sem trilha alguma, foi a coleção que ecoou em alto e bom som, com um splash de cores vibrantes, bastante brilho e estampas dramáticas, que soou como algo tão frescoroso quanto reminiscente de temas e formas já comuns na trajetória de Jacobs como estilista. Parcas com estampas maxi, vestidos lindos com bordados, ternos oversized, tracksuits de nylon… tudo com a precisão e sofisticação do “sob medida”, mas com um ar informal.

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Célineceline_021017_01-840x560

Os casacos (com um corte primoroso, obviamente) vieram como mutação entre jaqueta e capa; os coletes desconstruídos, quase pelerines; os vestidos ganharam o balanço fascinante das franjas, silhueta box e também a intervenção de cores pintadas a mão. Phoebe Philo faz roupas práticas com um traço sutilmente fantasista, tão usáveis quanto desejáveis. Faz o sutiã de ráfia costurado sobre um vestido parecer algo simples de vestir da mesma maneira que, em suas mãos, a banal combinação entre rosa e amarelo num look blazer e saia parece ter saído de um universo de sonho. “Leveza”, “amor” e “otimismo” foram palavras usadas pela estilista para descrever a coleção. “Ela reconhece que maturidade não precisa ser sinônimo de monotonia mas mais um tipo de audácia inteligente”, resumiu Vanessa Friedman, em sua crítica para o The New York Times.

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Louis VuittonLouis Vuitton

Demorou, mas ele conseguiu! Nicolas Ghesquiére saiu da Balenciaga como um dos estilistas mais cultuados dos anos 2000, por conta de sua visão criativa e de inovação que despertou a marca de um sono profundo. Na Louis Vuitton, ele se debruçou em uma silhueta rígida que pouco ajudava: não eram peças que provocavam desejo e suas incursões pelos tapetes vermelhos também não pareciam bem sucedidas. Tudo mudou com este desfile, quando Ghesquiére une passado, presente e futuro em uma coleção com diversas peças que funcionam sozinhas ou como proposta de look. As modelos usavam tênis e shorts de corrida em tons pastel (só que de seda) com casacos resplandecentes com shape masculino do século 18. Misturando períodos e trazendo pra perto elementos do streetwear, a coleção de Nicolas é um exercício de contemporaneidade. Sobre escolher os tênis para a passarela, ele simplesmente diz que é como as meninas se movimentam hoje – e essa frase basta para entender como Nicolas e sua equipe trabalharam neste desfile. Os casacos e coletes ricos e maravilhosos, com shorts, calças e saias descomplicados e que já nascem com uma etiqueta de cool.

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J W AndersonJW Anderson

Jonathan já explorou formas radicais em suas coleções passadas e neste verão, optou por mostrar peças mais usáveis e simples – ou a sensação de calma antes da tempestade, como disse aos jornalistas no backstage. “A mídia nos deixa malucos e às vezes temos que tirar a camada superficial e voltar ao básico, para as coisas que já conhecemos, roupas que podemos usar”. Assim, looks após look, fica fácil se identificar com as peças calmas, frescas e jovens como vestidos, saias, tops e bustiês (ainda se usa esse nome? rs) tomara que caia, e em uma grande variação de tons, que vai dos pastéis ao preto, passando por terrosos e pelas listras com uma combinação incomum de cores, bem ao estilo do estilista.

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UndercoverUndercover

Jun Takahashi é uma das mentes mais brilhantes da moda contemporânea. Cada desfile é um espetáculo em criatividade e técnica e desta vez não foi diferente. Em uma parceria com Cindy Sherman, Takahashi aplicou imagens da artista em muitas de suas roupas, como um vestido camiseta ou uma jaqueta que, ao fechar, juntava-se as duas metades de um rosto. Ele chamou gêmeas (algumas de mentira, outras de verdade) para desfilarem juntas, muitas vezes pareciam bonecas, com seus vestidos, paradinhas e de mãos dadas. Essa ideia foi perfeita para mostrar que muitas das peças são dupla face, além de criar uma atmosfera estranha e misteriosa como experiência para quem assistia. O desfile termina com duas gêmeas que lembravam as irmãs do filme O Iluminado, de Stanley Kubrick.

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Menção honrosa: VersaceVersace

De vez em quando a moda perde o medo de parecer piegas e não se envergonha em fazer emocionar. Com o desfile em homenagem a Gianni, a Versace comoveu convidados (e também quem acompanhou de longe) trazendo à tona a lembrança vivaz de um tempo de ouro encarnada pelas supermodelos e embalada por Freedom 90.

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Retirado de FFW

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